A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, foi marcada por um momento de forte repercussão de bastidores. Durante um diálogo informal que acabou captado pelos microfones do evento, o mandatário brasileiro surpreendeu ao rechaçar o rótulo de "esquerdista" e defender um posicionamento mais central e pragmático para a política global.
O episódio ocorreu enquanto Lula conversava com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz. Ao analisar o cenário político internacional e o enfraquecimento recente de partidos socialistas na Europa, o presidente brasileiro minimizou as polarizações ideológicas tradicionais.
"O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a Espanha", declarou Lula.
A fala repercutiu intensamente em Brasília e entre analistas políticos, uma vez que o presidente é historicamente associado e reconhecido como uma das principais lideranças da esquerda na América Latina. Para interlocutores do governo, a declaração reflete o pragmatismo necessário para o atual momento econômico e a busca por pontes de diálogo com o centro político.
Cobranças e debates econômicos no G7
Além do episódio dos bastidores, a agenda oficial do Brasil no encontro das sete maiores economias do mundo concentrou-se em temas macroeconômicos e sociais. Lula aproveitou as sessões plenárias para reforçar propostas defendidas pelo país na presidência do G20, como a taxação de super-ricos e o combate à fome global.
O presidente brasileiro também voltou a cobrar uma reforma profunda nas instituições de governança internacional, criticando a paralisia do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos geopolíticos recentes e pedindo maior representatividade para as nações em desenvolvimento.
O fórum na França serviu ainda como palco para interações diplomáticas de alto nível, incluindo uma breve troca de cumprimentos entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos corredores do evento. O encerramento da cúpula consolida o esforço brasileiro de se posicionar como um mediador estratégico entre o chamado Sul Global e as potências ocidentais.

